Esta investigação demonstrou que a associação entre dois fármacos permite que estes atuem de forma mais intensa no tratamento da insuficiência cardíaca.
Francisco Vasques Nóvoa, médico no Hospital de São João e investigador na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e na unidade de investigação RISE-Health, estuda novas estratégias terapêuticas para a insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada.
A insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEp) é uma condição em que o coração bombeia o sangue normalmente, mas em que o músculo cardíaco está rígido e relaxa com dificuldade entre os batimentos.
Esta condição representa atualmente o tipo de insuficiência cardíaca mais frequente em Portugal e na maioria dos países desenvolvidos.
Recentemente surgiram evidências de que alguns medicamentos já utilizados na prática clínica para outras doenças poderiam trazer benefícios para este grupo de doentes.
É o caso da dapagliflozina, um inibidor da SGLT2 originalmente desenvolvido para tratar a diabetes, e da espironolactona, um fármaco que bloqueia as ações da hormona aldosterona.
Nesse sentido, esta investigação desenhou um ensaio no qual cada doente passou por um período de tratamento que avaliou a toma de dapagliflozina em monoterapia e, posteriormente, a combinação da dapagliflozina com a espironolactona.
Os resultados revelaram que a associação destes dois fármacos permite atuar de forma mais intensa sobre os mecanismos biológicos desta doença.
Segundo o investigador, estes achados abrem o caminho para que combinações fixas dos dois medicamentos possam ser testadas em populações mais alargadas de doentes no futuro, com o objetivo de determinar se esta abordagem consegue reduzir significativamente a taxa de internamento e a mortalidade.
Saiba mais sobre o investigador em: Linkedin | Researchgate | FMUP
