Esta investigação utiliza organoides tridimensionais em cocultura com células tumorais de doentes para travar a capacidade de adaptação e a resistência terapêutica do cancro cerebral.
Mónica Fernandes, professora na Universidade do Algarve (UAlg) e investigadora no ABC-RI – Algarve Biomedical Center Research Institute, dedica o seu trabalho ao estudo do glioblastoma, um dos tumores cerebrais mais agressivos e letais.
Atualmente, o tratamento do glioblastoma combina cirurgia, quimioterapia e radioterapia, mas a elevada agressividade e resiliência deste tumor faz com que a sobrevida média dos doentes seja de apenas um ano.
Embora este seja considerado um tumor raro que atinge sobretudo indivíduos em idades mais avançadas, o envelhecimento da população tem conduzido a um aumento progressivo da sua incidência.
O maior desafio científico no combate a este cancro reside na plasticidade celular, que é a capacidade extraordinária que as células cancerígenas têm de alterar a sua identidade biológica.
Esta capacidade de adaptação ajuda o tumor a resistir às terapias convencionais, e a voltar a crescer e a invadir novas regiões do cérebro.
Para superar as limitações dos estudos com células isoladas e evitar o recurso a modelos animais, a equipa de Mónica Fernandes adotou uma metodologia inovadora que envolve a utilização de modelos tridimensionais conhecidos como “minicérebros” ou organoides cerebrais. Estes modelos são capazes de recriar o ambiente do cérebro humano no qual o tumor ocorre.
Em laboratório, os investigadores colocam células tumorais recolhidas diretamente de doentes em cocultura com estes organoides.
Através desta abordagem, a equipa de Mónica Fernandes conseguiu identificar um modulador da plasticidade celular que aparenta ser um interessante alvo terapêutico para bloquear a capacidade adaptativa das células tumorais e assim travar a progressão do glioblastoma.
Saiba mais sobre a investigadora em: Linkedin | Researchgate | Google Scholar | UAlg
