Este estudo concluiu que, embora a técnica aumente temporariamente a alcalinidade da água, a eficácia na captura de dióxido de carbono é de curta duração e não é economicamente viável.
Isabel Mendes, investigadora no Centro de Investigação Marinha e Ambiental (CIMA) da Universidade do Algarve (UAlg), liderou o projeto RECAP com o objetivo de avaliar o potencial da deposição de materiais alcalinos em zonas marinhas para capturar CO2.
Esta experiência decorreu na Ria Formosa e visou perceber se esta técnica ajudaria a mitigar as alterações climáticas através da captura de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera.
Para tal, a equipa de Isabel Mendes instalou molduras no sedimento onde foram depositados materiais alcalinos, e realizou colheitas trimestrais de água e de sedimentos ao longo de dois anos.
Os resultados demonstraram que logo após a deposição dos minerais a alcalinidade da água intersticial chegou a duplicar. Contudo, os valores diminuíram progressivamente e, passados seis a sete meses, já não apresentavam diferenças significativas em relação às zonas de controlo.
Desta forma, esta investigação concluiu que, com a tecnologia atual, esta técnica não é viável para a remoção de CO2 a longo prazo e apresenta custos económicos que não justificam a sua aplicação em larga escala.
O projeto RECAP – Reduzir o Carbono na atmosfera aumentando a Alcalinidade em ambientes intermareais: Potencial e impactes é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).
Saiba mais sobre a investigadora em: Researchgate | Google Scholar | CIMA
