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Ep. 2316 Carlos Oliveira Cruz – Investigação analisa as causas das derrapagens de tempo nas grandes obras públicas

September 28, 2026

Este estudo avaliou mais de quatro mil projetos em Portugal e concluiu que a instabilidade política é o principal fator que contribui para o atraso na conclusão das infraestruturas.


Carlos Oliveira Cruz, professor no Departamento de Engenharia Civil, Arquitetura e Ambiente do Instituto Superior Técnico (IST) e investigador no CERIS – Investigação e Inovação em Engenharia Civil para a Sustentabilidade, dedica o seu trabalho ao estudo dos modelos de gestão e de contratação de grandes obras públicas.

Esta investigação procurou encontrar formas de congregar os esforços da iniciativa privada, como construtoras e bancos, com os objetivos estratégicos do Estado para o desenvolvimento de infraestruturas críticas, como novos aeroportos, linhas de alta velocidade, barragens, ou centrais dessalinizadoras.

Historicamente, a avaliação destes projetos baseava-se em critérios essencialmente financeiros. No entanto, a investigação de Carlos Oliveira Cruz verificou que existe hoje uma evolução para critérios mais complexos, incorporando as dimensões ambiental, social, e de resiliência.

No contexto das alterações climáticas, é fundamental que as infraestruturas de energia ou transportes consigam resistir a eventos extremos, mesmo que isso implique custos de construção iniciais mais elevados.

Nesse sentido, um dos aspetos centrais do estudo é a análise das derrapagens financeiras e temporais.

Ao analisar um conjunto de mais de quatro mil projetos de construção em Portugal, abrangendo habitação social, estradas, e ferrovia, os dados revelaram que a derrapagem média de custos é de cerca de 11%, um valor considerado baixo face a outros países desenvolvidos. No entanto, a derrapagem de tempo atinge, em média, os 80%.

“Isto significa que as obras demoram quase o dobro, em média, do que aquilo que eram os tempos que estavam previstos”, explica.

Este trabalho concluiu que este atraso não se deve apenas a fatores técnicos, mas ao contexto político e social.

A ocorrência de eleições e a alternância de partidos no poder aumentam a probabilidade de derrapagens, uma vez que novos decisores tendem a repensar ou a alterar projetos já em execução.

Para o investigador, o “ingrediente mágico” para mitigar este problema é a definição de planos e prioridades estáveis que não se alterem com mudanças de governo, apontando os exemplos de Inglaterra e de Espanha como referências onde os planos de desenvolvimento se mantêm independentemente do decisor político.

Nesse sentido, a obtenção de consensos políticos alargados revela-se crucial para a celeridade que a sociedade espera.

Este estudo aponta as Parcerias Público-Privadas (PPP) como um modelo que tem demonstrado eficácia na entrega de obras dentro do prazo, tendo como exemplo a Ponte Vasco da Gama, entregue no tempo previsto apesar da sua elevada complexidade técnica.

Este modelo, que integra todas as fases do projeto sob a responsabilidade de uma entidade privada, está a ser utilizado nas atuais grandes obras de alta velocidade e no planeamento do novo aeroporto de Lisboa.

O objetivo final desta investigação é maximizar o retorno de cada euro investido, garantindo que os projetos criam valor real tanto para a atual geração como para as gerações futuras, dada a natureza multigeracional destas infraestruturas.

“Este trabalho procura avaliar e maximizar o impacto que cada euro gasto pode ter, seja na seleção dos projetos, seja do ponto de vista da sua execução”, conclui.

Saiba mais sobre o investigador em: Linkedin | Researchgate | Google Scholar | IST

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