Esta tecnologia permite transmitir até vinte vezes mais informação do que as fibras óticas convencionais.
Tiago Alves, professor no ISCTE-IUL e investigador no Instituto de Telecomunicações (IT), está a testar fibras óticas multi-núcleo no Metro de Lisboa, no âmbito do projeto LUMIRing.
As fibras óticas tradicionais possuem apenas um núcleo por onde circulam os fluxos de dados gerados diariamente pelos telemóveis, pelos computadores, e por outros dispositivos eletrónicos.
Face ao crescimento contínuo do tráfego digital, estas infraestruturas de núcleo único estão a começar a ficar saturadas, o que leva à necessidade de encontrar soluções tecnológicas que sejam capazes de responder ao crescimento da procura, sem esgotar a capacidade instalada.
Para contornar este problema, a equipa de Tiago Alves está a desenvolver fibras óticas multi-núcleo.
Estas fibras são caracterizadas por terem vários núcleos dentro de uma única fibra. Existem várias configurações de fibras com 4, 7, 19 ou mais núcleos.
A existência de vários núcleos permite multiplicar o volume de dados que é transmitido por uma única fibra. Por exemplo, a utilização de uma fibra com sete núcleos permite transmitir sete vezes mais dados do que as infraestruturas atualmente instaladas no terreno.
Este trabalho teve início em 2017, tendo percorrido uma fase inicial que envolveu o desenho de modelos teóricos, e a realização de simulações computacionais e de provas de conceito em laboratório.
Neste momento, esta investigação está a ser validada através de um ensaio experimental na linha amarela do Metro de Lisboa, no âmbito do projeto LUMIRing.
O objetivo é demonstrar que as fibras multi-núcleo conseguem apresentar taxas de transmissão superiores às das fibras convencionais, e comprovar que esta tecnologia mantém a sua estabilidade e integridade estrutural num ambiente com muitas vibrações mecânicas e oscilações térmicas, como as que ocorrem nos túneis do Metro de Lisboa.
O projeto LUMIRing – Banco de ensaios de fibra ótica multi-núcleo na linha amarela do Metropolitano de Lisboa é financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e pelo programa Lisboa 2030.
Saiba mais sobre o investigador em: Linkedin | Researchgate | ISCTE-IUL | IT
