Esta investigação analisa o impacto da saúde mental, dos comportamentos sociais e do uso intensivo das redes sociais na qualidade de vida da população jovem em Portugal.
Lara Ferreira, professora na Universidade do Algarve (UAlg) e investigadora no CinTurs – Centro de Investigação em Turismo, Sustentabilidade e Bem-Estar e no CIBB – Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia da Universidade de Coimbra (UC), coordena o projeto Youth Life Satisfaction and Well-being, uma iniciativa que tem como objetivo estudar o bem-estar e o grau de satisfação com a vida dos jovens portugueses.
Para tal, este projeto analisou a importância de fatores como a saúde mental, a autoestima e o envolvimento social tanto em contexto escolar como no trabalho.
Este estudo baseou-se numa amostra representativa da população jovem portuguesa, composta por 1800 indivíduos com idades entre os 16 e os 32 anos, estratificada por género, idade e região.
Os dados foram recolhidos através de entrevistas telefónicas, utilizando escalas validadas internacionalmente e adaptadas à população nacional.
Os resultados revelaram contrastes significativos: embora a maioria dos jovens demonstre preocupação com a alimentação e evite o consumo de drogas, 16% ingerem bebidas alcoólicas duas a seis vezes por semana e quase um quarto fuma diariamente.
No domínio da saúde mental, os dados indicam que mais de um terço dos jovens se sente triste ou deprimido e tem dificuldades em dormir, enquanto mais de um quinto revelou sentir-se só, com impactos mais acentuados nas raparigas.
A investigação destacou ainda a interação digital, revelando que os jovens passam, em média, 141 minutos por dia nas redes sociais, sendo que 25% atingem os 180 minutos diários.
Segundo Lara Ferreira, estes resultados demonstram um certo paradoxo, pois enquanto os jovens possuem em média cerca de 860 amigos nas redes sociais, o número de amigos em pessoa é de apenas 26, sendo que um terço dos inquiridos se encontra com amigos fora do contexto escolar ou profissional apenas uma vez por semana.
Os dados demonstram também que a ansiedade e o tempo passado nas redes sociais reduzem a satisfação com a vida, ao passo que a autoestima, a prática de atividade física e o número de amigos presenciais são fatores determinantes para o seu aumento.
Perante este cenário, a investigadora defende que as políticas de saúde devem ser orientadas para melhorar a saúde mental e incentivar relações interpessoais presenciais mais frequentes e de maior qualidade.
O projeto Youth Life Satisfaction and Wellbeing foi financiado pela Fundação ”la Caixa”
Saiba mais sobre a investigadora em: Researchgate | Google Scholar | UAlg
