Este estudo analisa o ouvido interno em fósseis para determinar o momento exato em que os antepassados das aves se tornaram animais de sangue quente.
Ricardo Araújo, investigador no CERENA – Centro de Recursos Naturais e Ambiente e professor no Instituto Superior Técnico (IST), está a estudar a origem da endotermia nas aves e nos dinossauros.
A endotermia é a capacidade que um animal tem de produzir e manter a temperatura corporal independente do meio exterior. Ao contrário dos répteis, que são ectotérmicos (com sangue frio), as aves são animais endotérmicos, mas o momento em que esta transição ocorreu na linhagem dos dinossauros permanece uma incógnita.
Para desvendar este mistério, a equipa de Ricardo Araújo está a estudar o ouvido interno de fósseis de dinossauros.
Dentro do ouvido interno existe um líquido chamado endolinfa cuja viscosidade diminui com o aumento da temperatura interna do animal.
Para manter a função auditiva e de equilíbrio, o ouvido interno teve de sofrer alterações químicas ou reduções de tamanho para compensar essa mudança na viscosidade à medida que os animais passaram de ter sangue frio para sangue quente.
Ao analisar fósseis de ouvido interno ao longo de toda a linhagem dos dinossauros, Ricardo Araújo pretende encontrar o momento exato na sua História evolutiva em que estes animais, e por consequência as aves, passaram a ser endotérmicos.
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Créditos Imagens: Gonçalo Rosa (Foto) e Sebastian Crocco (Banner)
