Embora a expressão sexual seja hoje mais igualitária ainda persistem alguns estereótipos de género.
Iolanda Fontaínhas, professora no Departamento de Sociologia da Universidade do Minho (UM), está a estudar as práticas e os desejos sexuais dos casais heterossexuais portugueses no âmbito do projeto (Inter)ditos.
Esta iniciativa pretende perceber de que modo as ideias e as expectativas que a sociedade tem sobre o que é ser homem ou ser mulher, os chamados papéis de género, podem influenciar aquilo que as pessoas acham que devem sentir, desejar e fazer no contexto das suas relações íntimas, e perceber como é que a comunicação ou a falta dela influencia essas vivências conjugais e sexuais.
Uma das principais conclusões deste estudo é que apesar de ter havido mudanças no sentido de uma maior aproximação entre homens e mulheres, em particular na valorização do envolvimento e prazer mútuos, enquadrados por ideais de género mais igualitários, ainda persistem diferenças nos modos como homens e mulheres interagem sexualmente.
As mulheres, por exemplo, continuam a sentir dificuldade em expressar os seus desejos e vontades sexuais. Isto acaba muitas vezes por fazer com que elas assumam papéis mais passivos e complacentes no contexto da relação.
Por sua vez, os homens continuam a sentir pressão para demonstrar um permanente apetite e disponibilidade sexual.
“Este projeto permite-nos perceber ou abrir o espaço para a reflexão sobre as formas plurais de construção da intimidade sexual do casal heterossexual contemporâneo”, acrescenta.
O projeto (Inter)ditos: As dinâmicas afetivas e sexuais do casal heterossexual foi desenvolvido no Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS) e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).
Saiba mais sobre a investigadora em: Linkedin | UM
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