Este projeto tem por base um arquivo de correspondência entre as duas autoras recentemente descoberto em Mirandela.
Sónia Coelho, docente do Departamento de Letras, Artes e Comunicação da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e investigadora no Centro de Estudos em Letras (CEL), coordena o projeto “Corpus de intercâmbios epistolares entre Luise Ey e Carolina Michaëlis de Vasconcelos”, com o objetivo de estudar a correspondência entre estas duas autoras.
O objetivo deste projeto é trazer novas fontes e novos contributos para a investigação e historiografia linguística.
Ao contrário das gramáticas, dos dicionários, e das ortografias, em linguística as fontes epistolares, como as cartas, são habitualmente consideradas como fontes não canónicas.
Neste projeto, Sónia Coelho pretende mostrar que este tipo de fontes pode trazer contributos importantes para a investigação em linguística.
“As cartas são uma fonte que reúne não só o pensamento científico, mas também a fusão com aquele lado quotidiano, com as vivências pessoais destas autoras”, acrescenta.
Luise Ey e Carolina Michaëlis de Vasconcelos apesar de estarem à distância, discutiam nas suas cartas todas as obras que estavam a elaborar, desde gramáticas a dicionários, as suas dúvidas, os avanços e os recuos que faziam no seu trabalho.
Mas também discutiam temas do quotidiano, como as lides domésticas, o tempo, e assuntos familiares com os quais todos já convivemos.
Sónia Coelho acredita que esta fusão entre esse lado mais íntimo e mais pessoal, e o lado científico que as cartas nos trazem, dão-lhe um valor intelectual importantíssimo que não deve ser ignorado.
A correspondência entre Luise Ey (1854-1936) e Carolina Michaëlis de Vasconcelos (1851-1925) constitui um importante acervo epistolar que documenta a relação de amizade e colaboração intelectual entre estas duas figuras femininas no panorama cultural luso-alemão do final do século XIX e início do século XX.
Saiba mais sobre a investigadora em: Researchgate | Google Scholar | UTAD
