Esta missão espacial pretende analisar a composição química de planetas fora do Sistema Solar para identificar indícios de vida e compreender como estes sistemas planetários foram formados.
Pedro Mota Machado, professor no Departamento de Física da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) e investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IAstro), integra a direção da missão Ariel da Agência Espacial Europeia (ESA), uma missão que tem como objetivo estudar as atmosferas de exoplanetas.
Como o nome indica, os exoplanetas são planetas fora do Sistema Solar, e esta missão pretende não apenas detetá-los mas também fazer uma caracterização detalhada das suas atmosferas.
Em particular, o principal objetivo da missão Ariel é identificar a presença de moléculas como o oxigénio, o ozono, o monóxido de carbono, ou o ácido cianídrico, para determinar a possibilidade de ocorrência de vida nestes planetas.
Atualmente, estima-se que praticamente todas as estrelas visíveis no céu noturno possuam sistemas planetários, resultando num número colossal de “novos mundos” por descobrir e analisar.
Para tal, esta missão vai usar uma técnica conhecida por espectroscopia de transmissão.
Quando um exoplaneta passa em frente à sua estrela, a luz da estrela atravessa as camadas altas da sua atmosfera, interagindo com as moléculas presentes.
Este processo deixa uma “impressão digital” ou um “código de barras” na luz da estrela. É este código de barras que permite aos cientistas analisar a composição química de um planeta, mesmo que este esteja a anos-luz de distância.
Segundo Pedro Mota Machado, para garantir o sucesso da missão, esta equipa utiliza o próprio Sistema Solar para calibrar os seus instrumentos.
Foram já realizadas observações do trânsito de Vénus e de ocultações de estrelas por Júpiter para testar a técnica de transmissão e comparar os dados com medições de sondas como a Cassini ou a Juno.
Além disso, os investigadores do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço desenvolveram uma técnica única no mundo, baseada no efeito Doppler, para medir ventos, tempestades e furacões, como o grande olho vermelho de Júpiter, a partir da luz solar neles refletida.
A missão Ariel possui uma forte componente portuguesa, com partes deste telescópio espacial a serem construídas em Portugal.
O lançamento está previsto para o final de 2030, estando agora na fase de montagem de componentes.
Esta missão vai orbitar no ponto de Lagrange L2, o mesmo onde se contra o telescópio espacial James Webb, e está prevista durar pelo menos quatro anos.
Saiba mais sobre o investigador em: Linkedin | IAstro
