Este estudo mediu as emissões de gases com efeito de estufa associadas ao consumo familiar e à organização de conferências científicas, com foco no impacto ambiental dos transportes e do consumo de energia.
Carla Silva, professora no Departamento de Ciências da Terra e Energia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) e investigadora no Instituto Dom Luiz (IDL), desenvolveu um estudo comparativo para avaliar a pegada carbónica das famílias portuguesas e da organização de conferências científicas internacionais.
A ideia é sensibilizar a sociedade e a comunidade académica para o impacto real dos seus padrões de consumo e de mobilidade nas alterações climáticas.
A pegada carbónica representa o somatório de todos os gases que contribuem para o efeito de estufa, incluindo o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4), o óxido nitroso (N2O) e gases fluorados, gerados ao longo do ciclo de vida de um produto ou atividade.
Na vertente doméstica, este estudo envolveu alunos da Licenciatura em Engenharia da Energia e Ambiente que analisaram o histórico de faturas de eletricidade, gás e água, além do consumo de combustível dos automóveis das suas famílias.
Os resultados revelaram que cada pessoa emite, em média, cerca de 3 toneladas de CO2 equivalente por ano em casa, um valor que, embora abaixo do benchmark nacional de 6 toneladas, era superior àquilo que os alunos esperavam.
Além disso, os resultados revelaram que cerca de 70% das emissões familiares se devem ao uso do automóvel e que o consumo médio de água atinge os 170 litros por pessoa diariamente, um valor que acarreta emissões indiretas associadas ao tratamento de água e ao seu transporte.
Esta investigação demonstrou também que a contratação de energia 100% renovável e o uso de veículos elétricos ou híbridos, tem um grande contributo na redução da pegada de carbono destas famílias.
No que diz respeito à organização de conferências científicas internacionais, a equipa de Carla Silva acompanhou eventos internacionais nas áreas da ciência de dados e das energias renováveis.
Os resultados demonstraram que a transição para modelos de participação híbridos, com cerca de 20% de participantes remotos, permite reduzir a pegada de 1 tonelada de CO2 por participante para 800 kg.
A localização do evento revelou-se também um fator crítico devido ao uso do avião.
Por exemplo, uma conferência realizada na Austrália dispara as emissões em comparação com uma realizada na Europa.
Enquanto uma conferência com 600 participantes na Europa precisa de 70 campos de futebol de árvores para neutralizar as suas emissões, este valor sobe para quase 100 campos se o evento for na Austrália.
“A culpa é do avião, mais uma vez, são os transportes. O avião consome combustível fóssil e essas emissões são contabilizadas para as alterações climáticas”, reforça.
Através destes dados, o projeto pretende promover uma consciência crítica que sirva de base à mudança de comportamentos e à adoção de políticas de organização de eventos mais sustentáveis.
Saiba mais sobre a investigadora em: Linkedin | Researchgate | IDL
